SEM POLICIA NÃO TEM OLIMPÍADAS

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WhatsApp-Image-20160704Se é certo que o mundo passa por um severo processo de violência nos grandes centros vitais do planeta, motivado principalmente por questões religiosas, partidárias ou separatistas, no Brasil isso se mostra com uma face bem mais grave e trágica. Aqui a violência é praticada sem regras ideológicas, objetivos de liberdade de um povo, de uma religião ou por questões de preservação de fronteiras. Transcende o terrorismo. É por parte do cidadão contra o cidadão. Cidadão porque até ser julgado e condenado, esse atributo democrático de direitos e garantidas – ser cidadão, não pode ser subtraído de qualquer indivíduo. Latrocínios, chacinas, estupros coletivos, epidemias tendo como fator a falta de saneamento básico, corrupção às escâncaras, nos faz um país severamente inseguro; Pior do que os grandes núcleos geográficos onde impera o terrorismo ou guerras civis. E é isso o que tem assustado as nações e suas delegações que virão ao Brasil disputar os Jogos Olímpicos de 2016.

Não temos como proteger milhares de gringos, atletas, suas torcidas e público expectador, soltos pelas ruas e arquibancadas das arenas olímpicas. Estarão iguais ovelhas à mercê dos lobos urbanos que geramos em nossas cidades e não temos como detê-los. Nossas leis são muito frágeis para corrigir e frear o criminoso. E nossas forças policiais ficam cada dia mais tímidas e sem capacidade de reação ao mar de violência e suas derivantes.
Mas uma coisa é certa. Sem polícia não tem olimpíadas. E é aí que temos de acordar nossas entidades representativas e dar um grito de basta. Ou somos úteis pelo que significamos, ou nos tornamos tão reféns dos governos quanto o são os animais domésticos que vivem pela migalha que caem da mesa do patrão. A migalha do momento são as gratificações que serão pagas aos policiais que trabalharão durante o evento mundial.
Se com as forças policiais nas ruas a violência não tem barreiras, sem elas, os centros urbanos se tornarão um caos. Nesse momento, saberão na mão de que segmento repousa a ordem social. Não existe lei autoaplicável, ordem pública sem a coercibilidade policial. Podemos até não ter a melhor polícia do mundo, ou mesmo do continente, mas sem ela, nem País teremos. Nos tornaremos uma república de facções criminosas, milícias e de partidos políticos despachantes do crime organizado nas dobras do poder.
O momento é chegado e fora dele toda negociação com qualquer governo que sediará algum dos jogos, terá o mesmo não, a mesma ladainha de que um policial não pode ganhar mais que ganha, mais conforto nas viaturas, logística adequada nos postos policiais, nas delegacias ou salário digno.
Quero ver dizer isso com o contingente policial de braços cruzados, às margens dos jogos mundiais.
Base filiada, federações e sindicatos do Brasil: A hora é essa.  Somos os donos da bola. Temos a oportunidade e a conveniência. Fora desses parâmetros, e dos jogos olímpicos que se avizinham, a bola fica com o patrão.

Luciano Marinho – Agente de Polícia PCDF
Secretário-Geral da Feipol-CON.

 

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