ARMAS DA TAURUS – RISCO PARA POLICIAIS

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A Procuradoria de Justiça Militar abriu uma investigação para saber se há irregularidades na fiscalização das armas usadas pelas polícias no Brasil.

Entre os problemas relatados são armas que travam no momento do disparo, ou que atiram sem que o gatilho seja apertado ou cartuchos que não são ejetados corretamente. São falhas graves relatadas por policiais que se feriram com armas da fabricante Taurus.

O Ministério Público do Distrito Federal também instaurou, na semana passada, um inquérito civil para investigar os casos. Porém, em 2013 o Ministério da Justiça já tinha sido alertado dos problemas.

O documento, de cinquenta e cinco páginas, relata problemas em armas da Taurus usadas pelas polícias de oito estados do país.

Em goiás, por exemplo, 61% das pistolas compradas da Taurus em 2013 precisaram de reparo ou substituição. Na conclusão do relatório, a Secretaria recomenda, entre outras medidas, a criação de um banco de dados junto às forças de segurança que inclua informações sobre falhas com  armamentos; que seja criada uma padronização e uma normatização da fabricação dos equipamentos e que o processo de aquisição de armas para a Força Nacional de Segurança seja feito em âmbito internacional, ou seja, que inclua fabricantes estrangeiras. A Taurus afirmou que a administração atual da empresa assumiu a gestão no ano passado e não tem conhecimento do relatório.

Apesar de os casos começarem a ser investigados em 2013, o Exército afirmou, em nota, que tomou conhecimento de problemas com armas da Taurus em 2015 e que, na época, a empresa solucionou os defeitos.

Diante de novas denúncias de falhas, o Exército instaurou procedimento investigativo e fez uma inspeção na fábrica da empresa em São Leopoldo, no Rio Grande do Sul.

O reforço na fiscalização da qualidade das armas pode ajudar a evitar novos acidentes como o que feriu o policial civil do DF Luciano Vieira. No momento em que tirou a arma do coldre, a arma caiu acidentalmente no chão e disparou contra ele. “Quando caiu ela disparou, me atingindo no embaixo da costela, e saindo nas costas”, contou. O policial ficou uma semana na UTI e seis meses em recuperação. “Um policial que é vítima de acidente de arma de fogo sem que ele encoste na arma, nunca mais ele vai se sentir seguro para trabalhar novamente”, revelou Luciano Vieira.

Para o Presidente da Federação Interestadual das Regiões Centro-Oeste e Norte/Feipol-Con, Divinato da Consolação “é o monopólio de uma única marca que torna o policial refém de um instrumento de trabalho ruim que, não raro, pode trazer riscos irreparáveis ao profissional de segurança pública. Inclusive, a falha de uma arma de fogo durante seu manuseio, pode significar vida e morte nas ruas, e vida não tem preço. Vamos acompanhar toda essa investigação, e pediremos para ser ouvidos no processo que apura essa grave situação pela qual passam milhares de policiais no Brasil que utilizam principalmente pistolas de calibre 40 da  Marca Taurus”.

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